Chovia pedra! Sério. Os fones no último volume. Um sujeito que não vai com a minha cara entra no ônibus e senta em umas cadeiras atrás de mim. Odeio quando ele pega o mesmo ônibus que eu. Acho que ele me odeia simplesmente pelo fato de ter pegado uma garota que ele também havia pegado há um tempo atrás, mas deus, quem é que não pegou ?! Tretar só comigo é vacilo. Ele é que é uma besta de ter se apaixonado por uma hedonista com um currículo tão extenso.
Me incomoda essa coisa dele sentar atrás por que sempre acho que ele tá reparando em mim ou coisa do tipo. Eu tentei prestar atenção nos comentários do Clássico histórico do cruzeiro, mas como bom paranóico queria saber exatamente onde ele estava sentado pra ver qual era a visão que ele tinha de mim.
A chuva apertou bonito, o programa na rádio terminou e o transito começou a empacar. Aí me entra uma mulher absurdamente gorda. Uns 200 kilos ou mais. Era enorme, mesmo. Teve dificuldade para passar na roleta. Pensei em dar meu lugar pra ela sentar, mas eu nem tava na janela, tinha uma pessoa do meu lado e ela não iria caber na cadeira, tanto é que uma pessoa sentada na minha frente se levantou para descer deixando uma vaga na cadeira do corredor. A mulher chegou perto da cadeira calculou uma forma de sentar mas acabou pagando pau. Tinha uma senhora sentada na janela, se ela sentasse iria apertar a velhinha.
Ficou ali, em pé, mesmo com o lugar vago. Até que a velhinha deu sinal para descer. Pronto, 2 lugares vagos. Ela provavelmente iria ocupar 1 espaço e meio. Foi triste o negócio. Ela ainda esperou uns minutos para sentar, ficou olhando pra cadeira, olhou para trás e sentou. Vestia uma daquelas calças de lycra, acho que era isso, e uma camisa, ambas da cor bege. O ônibus continuou empacando a ansiedade foi aumentando e claro, a caralhada de pensamentos aleatórios tomou conta. Fiquei ali olhando para as duas cadeiras quase que tomadas pela dona e pensando – será que ela tem alguem? como ela ficou daquele jeito? Será que daqui uns anos estará pior a ponto de não poder andar? Vai ter grana pra fazer redução de estômago? Imaginei ela como alguem solitária e de auto-estima baixa. Me imaginei como um carinha que iria sentar do lado dela, lhe dar um sorriso e um abraço e então tudo estaria resolvido. A cadeira iria aumentar a largura e ela iria emagrecer. Tudo estaria OK a nós dois nos casaríamos. Eu pensei nisso. Juro. Fiquei me imaginando ali do lado da mulher, até que uma gota caiu em cima da minha bolsa. Umas cinco no meu joelho. Um ônibus com goteira. As pessoas começaram a olhar pra mim – olha, goteira! – ohh! – que coisa hein?
Eu fiquei praticamente imóvel e inexpressivo, lutando na base da arrogancia com as tais goteiras que continuaram caindo em cima de mim. Pensei – aquele filho da puta deve tá la atrás rindo da minha cara! Deus, olha o tamanho dessa porra de ônibus e eu tinha que sentar justo na única cadeira onde há uma goteira?! Olhei pra gordona. Ahh, não fode, não, não pode ser, isso é um sinal! Isso é coisa de Deus mesmo. Ele quer que eu sente do lado da mulher gorda, é isso! E foi o que eu fiz. Pulei para a cadeira da frente e me sentei praticamente com a bunda de lado, ao lado da mulher. Todos dentro do ônibus ficaram olhando pra mim durante uns 20, 30 segundos, a mulher olhou para as minhas roupas e para minha cara, obviamente pensando que eu iria lhe roubar. Não olhei pra cara dela em momento algum, pelo contrário, permaneci com a expressão séria e mau humorada. Olhei para trás e o tal carinha já tinha descido. 2 pontos depois desci debaixo da chuva de granizo pensando no quanto a vida é uma piada de humor negro interminável. E eu ri.
dezembro 6, 2011 às 5:49 pm |
http://bufasdanadas.com/?paged=288
dezembro 6, 2011 às 7:56 pm |
I S2 gordas.
janeiro 1, 2012 às 7:09 pm |
ha, no final desse texto dei um sorriso, sei lá pq…